E se fosse criança pobre? Bebê de três meses passa mal trabalhando

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Por: Elvécio Andrade

Cena da novela Força do querer, da Rede Globo. Foto: Divulgação

A imprensa noticiou essa semana, que um bebê de três meses de idade teve que ser internado com hipotermia, depois de participar da gravação de uma cena da novela A força do querer, na beira de um rio. Como o local estava muito frio, o bebê passou mal.

 

No Brasil, em virtude do Eca (Estatuto da Criança e do Adolescente), o trabalho é proibido para menores de 14 anos e, dessa idade até os 15 anos, só é permitido na condição de aprendiz. Entre os 16 e 17 anos, o trabalho é liberado, desde que não comprometa a atividade escolar e que não ocorra em condições insalubres e com jornada noturna.

 

Como se vê, pela legislação em vigor, o trabalho para menores abaixo de 14 anos está totalmente proibido. Mas será que essa lei realmente é cumprida? De forma alguma. A existência de um bebê trabalhando em uma novela, ambiente promíscuo, insalubre e periculoso, comprova que a lei é ineficaz, e que as autoridades são omissas.

 

Aí você me pergunta. Então a lei não presta para nada? Depende. Se a criança for pobre, tiver pais que moram nas periferias, que necessitariam da ajuda dos filhos para complementar a renda familiar, a lei funciona que é uma beleza. Funciona até demais.

 

Órgãos de defesa do menor, Ministério Público, juizado da Infância e Juventude e o escambau, agem como leões, com uma fúria incontida em quem ousar desobedecer à lei. Pais correm o risco até de serem destituídos do poder familiar e o filho ou filha ser encaminhado para uma família substituta, por meio de adoção.

 

Agora. Se as crianças forem ricas, filhas de artistas nas mais variadas áreas, desde cantores a atores, a história é diferente. Os defensores do Eca agem como cachorrinhos de madame e se tornam totalmente subservientes. A punição para os trabalhos infantis em rádios, teatros, cinemas, TVs etc, muitos com cargas excessivas e estafantes, inexiste.

 

Vejam o caso de crianças como a Marisa, que apresentava programa diário na emissora do Sílvio Santo, com uma carga horária e responsabilidade incompatíveis para a sua idade. Outras crianças fazem ou faziam a mesma coisa na mesma emissora e em outras. Todos sabem o quão cansativo e perturbador é esse tipo de trabalho. Mas para nossas autoridades isso não é nada.

 

Quem não se lembra dos irmãos Sandy e Júnior, que ainda crianças faziam shows pelo país afora, inclusive shows noturnos? E as crianças que participam de novelas infantis, como Chiquititas, Carinha de anjo e tantas outras, inclusive novelas para adultos, como as imorais novelas da Globo? Essas crianças têm uma carga excessiva de trabalho. Precisam levantar cedo para gravar, vivem sob tensão e muitas vezes são reprimidas pelos diretores quando erram cenas.

 

Em novelas da Globo a coisa é ainda pior. As crianças convivem com pessoas de má índole, artistas sem moral, que não servem de exemplo para ninguém, além de manterem contato com um ambiente promíscuo, repleto de maus exemplos. Isso, não é novidade para ninguém, mexe com o psicológico da criança e as conseqüências futuras podem ser danosas.

 

Para o serviço dessas crianças, os defensores do Eca fazem ouvidos mocos. Não fiscalizam, não tomam providências. Juízes, promotores, comissários de menores e representantes do Conselho Tutelar fingem que nada está acontecendo e deixam o absurdo acontecer normalmente, sob a falsa ideia de que fazem um trabalho artístico, inofensivo.

 

E mesmo que fosse inofensivo – o que todos sabemos que não é – é um trabalho. E o trabalho, pela lei, seja ele braçal ou artístico, não é permitido para menores de 14 anos. Na verdade, esse tipo de trabalho é muito mais cansativo que o trabalho dos menores que ajudam seus pais vendendo balas nas ruas, fazendo malabares nos sinais de trânsito ou vendendo frutas em feiras.

 

Essa proteção do trabalho para os menores que atuam em TVs, teatros, shows e proibição para aquelas crianças que poderiam ajudar seus pais contribui para a disseminação da criminalidade, já que essas crianças, proibidas de trabalhar em serviços lícitos, são jogados para o submundo do crime, tendo que trabalhar na clandestinidade, muitos sendo aproveitados por traficantes.

 

Aquele bebê de três meses jamais poderia estar participando de uma cena de novela, num local impróprio, em condição insalubre. Tanto que o bebê foi acometido de hipotermia. E o que nossas zelosas autoridades de defesa do menor, que tanto perseguem as crianças pobres vão fazer?

 

O certo era utilizar naquela cena um boneco. Com a tecnologia desses tempos modernos, pode-se criar com facilidade um boneco parecido com um bebê. E a Globo tem toda condição para isso.

 

#Chegadehipocrisia

 

 

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